quarta-feira, 13 de maio de 2009

Webquest "O meu poema preferido"

Olá, caros alunos!

Eu sei que deveriam estar a ter furo, mas desculpem lá qualquer coisinha...
Como não vos queria deixar sem fazer nada, resolvi atribuir-vos uma tarefa para a aula de substituição de 6ª feira.
Aqui vai: cliquem no seguinte atalho http://www.nonio.uminho.pt/webquests/webquest/soporte_tabbed_w.php?id_actividad=7456&id_pagina=1

Agora é só seguir as instruções... mãos à obra.

Os poemas recolhidos serão, depois, para ler na aula e proceder-se-á à eleição do "Melhor Leitor de Poesia da Turma".

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, de Jorge Amado


Esta pequena-grande obra de Jorge Amado é baseada na trova de Estevão da Escuna, poeta popular da Bahia, que rezava da seguinte forma:
O mundo só vai prestar
Para nele se viver
No dia em que a gente ver
Um gato maltês casar
Com uma alegre andorinha
Saindo os dois a voar
O noivo e sua noivinha
Dom Gato e Dona Andorinha

Este foi o mote do grande escritor brasileiro para esta fábula dos tempos modernos, que conta a história de amor insólita entre um gato, considerado como a criatura mais egoísta e solitária das redondezas e uma bela e gentil andorinha. Com a duração de três doces estações, o improvável romance entre as duas criaturas das «profundas do passado quando os bichos falavam» sobrevive às críticas sociais, à diferença de idades dos dois amantes e às diferenças de carácter entre ambos, para enfim esbarrar na cruel e “natural” evidência, escondida pela paixão inicial, de que «uma andorinha não pode, jamais, casar com um gato». O enredo, no entanto, não se esgota no amor entre o gato malhado e a delicada ave migratória, que acaba por ser uma história dentro de outra história. De facto, a paixão entre os dois animais é, afinal, uma história que a Manhã contou ao Tempo, depois de a ter ouvido da boca do Vento, perdido de amores pela Manhã. Já o autor, por seu turno, assevera tê-la escutado do «ilustre sapo Cururu»… Trata-se aqui, nestas narrativas cruzadas, de uma fascinante viagem plena de poesia pelo universo da fantasia e dos sentimentos, uma doce e ao mesmo tempo amarga fábula alegórica, de leitura recomendada exclusivamente para «crianças adultas», como determina o próprio autor, que de uma forma plena de lirismo acaba por abordar temas tão importantes e incómodos como a intolerância ou o preconceito. Estamos perante uma das obras mais comoventes e líricas do romancista Jorge Amado, que a escreveu em 1948, numa altura em que residia em Paris, como prenda de primeiro aniversário para o seu filho João Jorge. O autor, de resto, nunca pensou publicar esta bela fábula, redescoberta e publicada apenas em 1976, quando o mesmo filho, depois de remexer no seu baú de memórias, a entregou ao pintor baiano Carybé, que não hesitou em colorir a fantástica prosa com as suas inesquecíveis aquarelas, que passaram a fazer parte indissociável da obra a partir de então.
Clica aqui para saberes um pouco mais acerca desta obra.
Verifica aqui se fizeste uma leitura atentas da história.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Concurso "O Melhor Conto de Natal"


A Biblioteca Escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Fortunato de Almeida está a organizar o concurso literário "O Melhor Conto de Natal".
Este concurso tem por objectivo promover a Língua Portuguesa e o gosto pela escrita, num contexto da quadra natalícia.
Toda a comunidade educativa pode concorrer, desde alunos (1º, 2º, e 3º Ciclo) até aos Encarregados de Educação, Professores e Auxiliares de Acção Educativa, sendo que concorrem em categorias distintas.
Os vencedores de cada categoria receberão prémios!
Os trabalhos deverão ser entregues de 2 a 12 de Dezembro de 2008!
Para mais informações consulte o regulamento do concurso.
PARTICIPE!
- Clica, em baixo, para consultares o cartaz e o regulamento:

"História da Gata Borralheira", de Sophia de Mello Breyner Andresen


História da Gata Borralheira retrata a vida de uma jovem que vive na fantasia de ir a um baile. Essa jovem chama-se Lúcia, é pobre e, por isso, não tem a possibilidade de realizar o seu sonho, mas a sua tia-madrinha dá-lhe o “passaporte”, ou seja, um vestido para Lúcia, que esta, porém, detesta. Mesmo assim decidiu ir ao baile. Como não tem uns sapatos decidiu ir ao sótão e recuperou uns velhos e bolorentos. No baile, Lúcia sentiu-se sempre envergonhada e constrangida. Tentou sempre fugir aos espelhos da casa e escondeu-se na varanda do salão. Mais tarde, um rapaz convidou-a para dançar e esta aceita. No meio da dança caiu-lhe um dos sapatos e todos começaram a gozar com a situação. Lúcia ficou novamente muito incomodada, mas fingiu que não fora ela que o tinha perdido e saiu imediatamente do salão. Entra numa divisão onde a parte de dentro da porta é revestida por um espelho onde jura vingar-se de todas as pessoas que se tinham rido dela e voltar vitoriosa. Vinte anos depois volta ao mesmo local, mas desta vez com um vestido bonito e sapatos bordados com brilhantes. Mas será que Lúcia consegue vingar-se? Será que não terá de pagar pela vida luxuosa que levou e a sua obsessão pela vingança?
- Resolve a Ficha de Verificação de Leitura do conto.
- Consulta aqui a versão original da Gata Borralheira, dos irmãos Grimm.
- Constata aqui as diferenças e semelhanças entre a Gata Borralheira, de Grimm, e a Cinderela, de Walt Disney.

domingo, 2 de novembro de 2008

Literatura de tradição oral


A burra do Jaquim

“Esta história perde-se no total dos tempos. Ouvia a minha bisavó, que já a ouvira à sua, pois, na aldeia de Ferreiros, ela jamais será esquecida”.
Era uma aldeia paupérrima, com invernos rigorosíssimos, em que os socos dos aldeões se enterravam no “codo” e nos grandes nevões, quando iam deitar de comer ao gado. Só para isso saíam da lareira, bem embrulhados nas suas capuchas castanhas.
A vida dos agricultores era mais dura que as penedias da serra, onde a aldeia estava encravada. Aquele caminho esburacado, de terra batida, a que chamavam estrada, ficavam a mais de três quilómetros. Viviam do que a terra dava, mas as belgas do jaquim ficavam longe da povoação, perto do rio. Era uma boa estirada e, como o calor do verão era tão forte como o frio do inverno, o jaquim deixava uma garrafita de vinho a porta do quintal, para o relento da noite o refrescar, levantava-se antes do galo cantar, com o céu polvilhado de miríades de estrelas; cortava uma boa fatia de pão de centeio do açafate da cozinha, ia buscar uma lasca de presunto, bebia o vinhito e, com o estômago aconchegado, ia a loja aparelhar a burra e, ainda de noite se ouviam os seus cascos na calçada. O que valia e que, tanto ele como a burra, já conheciam bem o caminho, estreito e pedregoso que os levava ate as Jeirinhas. Aquele prédio era o orgulho do Jaquim, que herdara de seu pai. Com a ânsia de começar cedo, às vezes ainda se deitava na terra nua, à espera que amanhecesse, para ver o que fazia.
Ao bater do meio-dia, enquanto ia rezando as 3 Ave Marias, lá ia a Chica, com um cestito a cabeça levar-lhe o “jintar” e, depois de uma pequena sesta, ajudava-o a apanhar as batatas ou outra coisa qualquer, carregavam a burra e lá vinham, cansados, pelo caminho sempre a subir, até casa.
Enquanto ele tratava do animal, ela aquecia o caldo e cozia umas batatas à racha, que comiam com um molho feito com alho, uma pinga de azeite, água do caldo e umas pedrinhas de sal.
Naquela noite, o jaquim estava pensativo e, enquanto comia à luz bruxuleante da candeia, que desenhava sombras esguias na cozinha escura, disse p’ra Chica:
- “Reparaste, mulher? A burra está a ficar velha. Já lhe custa aguentar o carrego e tropeçou duas vezes no caminho. Este ano, vou ver se a troco na Feira de S. Francisco, aproveitando o dinheirito da venda das batatas. Que dizes?”
- “Ó home, faz como achares melhor, mas vê que seja mansinha, para eu poder montar nela.”
Dormiram mal essa noite, a pensar no assunto, pois a burra, salvo seja!, era como se fosse da família. Mas já não podia ajudar no que precisavam…
0ra, no domingo seguinte chegaram os “caldeireiros”. Eram uns vendedores ambulantes, que passavam na aldeia uma vez por ano. Ficavam uns dias debaixo do alpendre do Ti Zé Magriço e lá estendiam tudo o que traziam e fazia falta aquela gente. Que compras engraçadas!
- “É este o alguidar de barro que quer? Vê? (e batia nele com os nos dos dedos). Não tem uma racha sequer! E este vidrado?! É uma maravilha!”
- “Quanto quer por ele? E por aquela panela de ferro, a mais pequena…” (ainda não havia plásticos nem fogões a gás…)
- “Por você já ser freguesa, são duas vezes cheias de batatas ou de milho.”
E, depois de muito regatearem, lá se iam fazendo as trocas, às vezes também por uns ovitos.
O Jaquim passou por lá, mas não comprou nada. Olhou para uma burra que eles traziam, muito lazarenta e cheia de feridas, mal podendo segurar-se em pé e enxotar as moscas com o rabo.
- “Olhe a sua burra! Será do calor? Ela não lhe aguenta o caminho de volta.”
Bem lhe deram de água, erva fresca e palha, mas não havia nada a fazer. O animal deitou-se no chão e só restava enterrá-la.
- “E agora? - gemia o caldeireiro – como havemos de ir embora? Quem puxa a carroça?”
- “Quer comprar a minha?” – o Jaquim aproveitava a ocasião – “olhe que é uma boa burra, habituada ao trabalho. Tenciono ir vendê-la ao S. Francisco, com bastante pena, mas é um pouco arisca e a minha Chica não consegue montar nela. Para a sua carroça, não arranja melhor...”
Depois de muito regatearem, apareceu o comprade Manuel a dar a sua opinião:
- “Ó homens, “rachem” a diferença ao meio e façam negócio!”
E assim foi. O Jaquim esfregava as mãos de contente, pois tinha feito uma boa venda, mas a Chica ainda deitou uma lagrimazita, quando, pela última vez, viu a burra sair da loja...
No dia de S. Francisco, lá vai o Jaquim, ainda de noite, com a merenda numa saquita de remendos feita pela Chica. Tinha muito que andar, pelo meio das matas de carvalhos e soutos onde começavam já a abrir os primeiros ouriços. Ia depressa, sempre atento, de olho alerta, não fosse algum ladrãozeco saltar-lhe ao caminho.
Mal chegou, encontrou um primo, o João da Zefa, que tinha vindo ao mesmo. Já dera a volta a Feira e foi com o Jaquim mostrar-lhe as melhores. Havia lá uma, que lhe “ficara no goto”, mas não tinha dinheiro para ela. O Jaquim foi vê-la e ficou encantado: tinha uns olhos meigos, uns bons dentes, (já não era muito nova, mas ainda não era velha), zurrou forte, quando lhe viu as patas e lhe passou a mão no pelo. E que pelo! Castanho, macio, mesmo muito bem tratado. Era cara, lá isso era!...
Deu mais uma volta à Feira, mas nenhuma lhe agradava como aquela. Regateou o que pôde e, com a ajuda do João da Zefa, acabou por fechar negócio. Estava mesmo contente! Amarrou-a a um pinheiro, foi comer um bocadito de marra (também levou para a Chica), bebeu uns copitos com o amigo e pôs-se a caminho, que Ferreirós ficava bem longe. Montou e lá foi um pedaço de caminho. Como ela andava bem! Era mesmo mansa, o raio da burra! Quase nem precisava de lhe tocar com os pés na barriga para ela trotar por ali a fora...
Pelas matas, foi a pé, levando-a pela arreata. A Chica ia gostar dela, de certeza! E, pela primeira vez na sua vida, o Jaquim, feliz, apreciava o sol a brilhar por entre as arvores, as nesgas de céu azul e as floritas que teimavam em desabrochar no meio da aridez das pedras da mata... Ao longe, já se avistava Ferreirós e até a burra parecia perceber a ansiedade do Jaquim, pois começou a trotar mais depressa. Toda a gente da aldeia veio vê-la e ela abanava o rabo, muito contente, como quisesse agradecer toda aquela atenção.
- “Fizeste boa compra, Jaquim!” – diziam todos, uns com amizade, outros talvez com uma pontinha de inveja...
O Jaquim levou-a a beber ao tanque do Largo da aldeia e a “danada” devia ter tanta sede, que até parece que conhecia o caminho.
Zurrou feliz e... foi direitinha à loja, onde tinha bom feno para comer e boa palha para se deitar. A Chica esmerou-se para receber a “hóspede”:
Nos dias seguintes, tudo corria sobre rodas, isto é, sobre as quatro patas da burra. A “magana” era mesmo boa.
Acabada a vindima, começou a faina das castanhas. A Chica ia de manhãzinha para o soito, enchia os sacos de castanhas (não havia na aldeia outras iguais!) e à tardinha, depois de vir das Jeirinhas, o Jaquim ia buscá-los com a burra. Era uma época difícil em que só jantavam pão de centeio e à noite é que ceavam...
Nunca mais esqueceriam aquele último dia de Outubro. Estava um calor tórrido, abafado!... vinha lá trovoada, na certa! O céu escureceu, nuvens sombrias taparam o sol e começaram a ver-se ao longe, os primeiros relâmpagos. A Chica veio mais cedo para casa e o Jaquim fez o mesmo. Só que as Jeirinhas ficavam longe e, por mais depressa que viessem, ao chegar a fonte velha, no início da aldeia, o céu abriu-se em torrentes de água, que arrasava tudo. Não tendo onde se “acoitar”, o Jaquim e a burra corriam, completamente encharcados, o mais depressa que a chuva deixava. Era quase noite e, ao chegar ao Largo, completamente deserto, o Jaquim deu conta que as mãos estavam sujas e, olhando para trás, viu que ficava um rasto escuro no chão, conforme eles passavam. Um forte relâmpago, seguido de um enorme trovão, fez cair na torre da igreja.
- “Ai valha-me Deus! T’arrenego, santanás! Virgem Santíssima!”
O Jaquim mete a burra na loja e entrou em casa, branco como a cal.
- “Que tens, homem?” – perguntou a Chica, assustada:
- “sei lá mulher! Isto são coisas do demónio” – e mostrou-lhe as mãos todas castanhas.
O Jaquim lavou-se e foi-se logo deitar, sem comer. A Chica pegou na candeia e nuns farrapos e foi tratar da burra. Conforme limpava, o pelo ia ficando cinzento e ai ela percebeu tudo. Fechou a porta da loja e foi ter com o Jaquim ao quarto, mostrar-lhe os farrapos.
- “Ó Jaquim, qual diabo qual carapuça! Foste bem enganado! A burra linda que compraste é a nossa burra velha, homem!”
Maria Faustino Marques L. Pais



Rafael Pina, 8º B

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Escrita Criativa

Foram sorteados pelos alunos alguns temas, que deveriam desenvolver em, aproximadamente, 30 minutos. Eis alguns dos textos.

Entraste numa floresta encantada, onde as árvores, as plantas, as flores, os animais e até as pedras do caminho falam, mexem-se e sentem como as pessoas, sendo ainda capazes de transformações incríveis. Nessa tua aventura, experimentaste sentimentos como a alegria, o medo, o amor e a raiva. Conta as situações que os proporcionaram.

Estaria eu a sonhar?


Num dia em que tudo parecia estar a correr mal, senti-me possuída por uma música muito bonita, que tocava longe...pensava eu! Fui caminhando ao som daquela melodia e, quando dei conta, estava prestes a entrar numa floresta onde tudo era diferente...mágico! As árvores falavam, as plantas falavam ,os animais falavam, até as pedras do caminho falavam! Era tudo tão extraordinário, tão invulgar! Naquele momento, não sabia o que fazer, então decido esconder-me atrás de uma árvore para melhor apreciar. Os animais conversavam uns com os outros, davam gargalhadas, bricavam, pulavam.... todos se divertiam! De repente..... - Buuuuu! – um dos animais encontrou-me. Um pouco assustada, perguntei:
- Como te chamas, macaquinho?
- Bem, eu sou o Sebastião, e desde já te digo que detesto que me chamem macaco!
- Mas tu és um… macaco! - Sim, mas vocês também chamam macacos àquelas coisas viscosas e nojentas que têm no nariz. Portanto, não quero ser macaco, quero ser apenas Sebastião!
Ainda apreensiva, não consegui conter o riso. Sebastião tinha piada e as minhas gargalhadas denunciaram–me, triste e, sobretudo, muito receosa!
Foi então que Sebastião me explicou que os humanos não eram bem-vindos devido às “suas capacidades de provocar o mal”. No fundo eles tinham razão, mas eu não sou assim e estava disposta a prová-lo. No final, após algumas palavras meigas, gestos de carinho e um sorriso franco, consegui cativá-los. Conheci o cavalo chamado Afonso, o burro Pintas, a cobra Comprida, a lagartixa zarolha....( uma coscuvilheira) e o papagaio, o Fala barato. Depois de algumas histórias hilariantes e de muita fantasia, regressámos à dura realidade: o motivo pelo qual os meus novos amigos não confiavam em humanos. Na época de caça perdiam sempre alguém, na altura de férias apareciam animais novos na floresta, cujos donos os tinham abandonado, já para não falar dos pobres bichos que fugiam para a floresta devido aos maus tratos! Senti-me revoltada e, acima de tudo, envergonhada por pertencer a este grupo de indivíduos!! Mas, no fundo, não era novidade para mim... neste mundo não há respeito, não há amor, nem carinho, não há paciência, nem tranquilidade, enfim.... não há paz! Paz senti eu quando me sentei junto destes novos amigos. Começou a escurecer, tinha de regressar ao meu mundo. Com alguma tristeza, despedi-me de todos, com a promessa de que em breve voltaria. Quanto a mim, de alma nova, decidi fazer tudo o que estaria ao meu alcance para tornar o nosso mundo num sítio melhor!


Alexandra, 8º B

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Descobriste uma velha caixa no sótão de uma casa abandonada e, daí em diante, a tua vida mudou completamente. O que continha a caixa? O que aconteceu a partir do momento em que a abriste?



A CAIXA ENCANTADA

- Avó, Avó… Contas-nos uma história? – pediram o pequeno Simão e a sua irmã Débora.
- Está bem, meus pequenos sonhadores. Vou contar-vos uma história que vivi por volta dos meus sete anos.
- Estava eu sentada no sofá da sala da minha mãe, vossa bisavó, a ouvir a chuva a cair. Era um dia muito aborrecido, eu não tinha nada que fazer e Ana, a minha mãe, tinha ido trabalhar para a quinta e cuidar das fazendas. Ora naquele preciso momento, estava a pensar como a Maria tinha sorte, pois tinha uma família completa: uma mãe, um pai, um avô, uma avó e um irmão que nascera havia pouco tempo. Eu tinha apenas uma mãe e um pai. Também tinha uma tia, que vivia num país longínquo, um país que eu sonhava, um dia, vir a conhecer.
- Avó, quem era a Maria? – perguntou a Débora.
- Era a mãe do Bernardo, o nosso amigo que foi para a Suiça? – perguntou o Simão.
- Sim, meus queridos, era. Continuando… Nesse mesmo instante, o meu pai chegou a casa.
- Olá, Edite, estás aqui? Pensei que estivesses a brincar com a Maria e os teus amigos.
- Hoje não quero. E tu, o que vieste fazer? – perguntei eu, muito espantada.
- Vim buscar a bucha para mim e para a tua mãe. Olha, acho melhor ires brincar com os teus amigos. Aproveita enquanto és criança e diverte-te.
Muito obediente, beijei o rosto do meu pai e fui até ao largo da povoação, onde eu e os meus amigos brincávamos juntos. Quando cheguei, só estavam lá a Maria e o Joaquim. Estavam a falar baixinho, como que a planear mais uma aventura.
- Bom dia, de que estavam a falar?
- Estávamos a pensar como haveríamos de ir a casa da Feiticeira, como ela foi internada num lar de idosos, já podemos lá entrar. – disse a Maria.
- Avó, quem era a Feiticeira?
- A Feiticeira era uma velha, muito velha, cheia de rugas, com os olhos muito grandes, avermelhados, que vestia sempre de preto. Ela tinha um gato, também preto, muito grande e peludo, a quem chamava Fantasia. Diziam que ela andava sempre a escavar buracos no jardim, de manhã à noite. Pensava-se que ela tinha um caldeirão escondido no quarto onde cozinhava as pessoas que lá entrassem. À noite, via-se uma luz imensa a sair do seu quarto que invadia a escuridão da noite e deixava as pessoas aterrorizadas. Querem ouvir o resto da história ou não?
- Sim, Avó, claro que queremos. – confirmou o Simão, muito impaciente.
- Então vou continuar.
- O que achas, Edite, queres vir connosco, a casa da Feiticeira?
- Está bem. Vai ser uma aventura! - exclamei com os olhos cheios de curiosidade.
- Olhem, malta, eu não sei, estou com um bocadinho de medo!
- Não sejas pateta, vais ver que vai ser engraçado. – retorquiu o Joaquim, tentando encorajar a Maria.
Quando nos decidimos, fomos rua abaixo até chegarmos a casa da Feiticeira.
Era uma casa muito velha, cheia de teias de aranha, as janelas partidas e as portas roídas dos ratos. O jardim estava morto e cheio de buracos. Reparámos que a porta estava entreaberta.
- Então quem vai à frente? Vai tu Edite, és a mais corajosa.
- Eu? Por que não vais tu? Encorajaste a Maria e afinal tens mais medo do que ela?
- Chega de discussão! Eu vou à frente. – interveio a Maria, abrindo a porta muito devagarinho.
Entrámos um por um, muito agarradinhos e cheios de medo.
Havia três portas e, à nossa frente, umas escadas enormes de madeira. Estava tudo velho, com pó, cheio de teias de aranha. Era uma casa triste, sem vida, sem cor.
- Vamos ver se as portas abrem. – disse eu, entusiasmada.
Distribuímo-nos pelas portas, mas nenhuma abria.
- O que haverá lá em cima? Se calhar é o sótão, vamos lá ver.
Subimos, escada por escada, cheios de medo, mas todos nós estávamos com imensa curiosidade. Quando chegámos lá em cima…
- Já sei, estava lá um robot que faz tudo o que nós fazemos!
- Não, cala-te, Simão! Estava lá uma linda barbie num jardim encantado, rodeada de borboletas e flores.
- Oh! Calem-se meninos. Não era nada disso, mas vejo que imaginação não vos falta. Bem, quando chegámos lá em cima, tudo estava mais iluminado, havia quatro janelas enfeitadas com bonitas cortinas brancas rendadas. Não existia qualquer tipo de pó, estava tudo limpo e o ar cheirava a alfazema. Havia uma cama, um enorme baú, um grande cadeirão azul de veludo e um pequeno armário. Em cima da cama estava uma caixa muito colorida.
- Estão a ver a caixa em cima da cama? O que terá lá dentro? – perguntou o Joaquim.
- Não sei, vamos abri-la, mas é preciso uma chave.
Naquele momento ia pegar na caixa quando, de repente, ouvimos:
- Miau, miau…Miau!
Olhámos os três para trás, era o Fantasia, o gato da Feiticeira. Ficámos perplexos e mudos a olhar para ele. A Maria quebra o silêncio e diz:
- Olhem, traz uma chave ao pescoço, pendurada num cordão rosa. Tenho a certeza que é a chave da caixa. – afirmou a Maria, com muita certeza.
O gato dirigiu-se para nós muito devagarinho. Com muita coragem, a Maria tirou-lhe a chave do pescoço e o gato saltou para cima da cama e sentou-se ao pé da caixa, como que a dizer para a abrirmos.
Muito lentamente, a Maria pegou na caixa.
- Não a abras, – disse o Joaquim com muito medo – pode lá ter uma cobra enorme que nos irá de…de…devo…devorar!
- Não sejas medricas, é apenas uma caixa. – retorqui-lhe eu, quase rindo às gargalhadas.
A Maria, sem ouvir o que o Joaquim lhe dissera, abriu a caixa. E, de repente…
- O que aconteceu, Avó?!
- De repente, uma enorme luz tomou conta de nós e, como que por magia, estávamos numa linda floresta, com uma enorme cascata que escorria por um rio com água muito límpida. Havia imensos animais por toda a parte: esquilos, veados, cães, gatos, sapos, javalis…enfim… todo o tipo de seres que há numa floresta. Estávamos deslumbrados a admirar tanta beleza.
- Viva, viva… viva à nossa Feiticeira e a quem a salvou! – gritavam todos os animais.
- Obrigado, muito obrigado! – disse-nos um gato preto.
- Tu és o Fantasia, não és? – perguntou-lhe um de nós.
- Sim, sou eu, o gato da Feiticeira.
- Então, mas… obrigado porquê?
- Graças a vocês, a Feiticeira já pode morrer em paz. Eu conto-vos a história.
Nós acomodámo-nos num enorme pedregulho que estava ao pé do rio, para que o gato nos pudesse contar a história.
- Quando a Feiticeira era pequena, a mãe ofereceu-lhe aquela caixa que estava em cima da cama dizendo-lhe o seguinte: “ Com esta caixa e esta chave vais poder brincar e falar com os animais numa floresta encantada. Assim nunca te sentirás sozinha.” A partir desse dia, ela foi muito feliz porque cuidava e brincava com os animais desta floresta. Aos quinze anos de idade, ela perdeu a chave e a partir desse dia, ela ficou muito triste e a morrer aos poucos. Os animais desta floresta adoeceram por falta dos cuidados da Feiticeira. Procurámos a chave por todo o lado, e nunca a encontrámos. Um dia, uns senhores muito maus vieram buscar a minha dona para um lar, e nesse momento eu tinha acabado de encontrar a chave, mas não cheguei a tempo e levaram-na. Hoje a minha tristeza acabou e os animais estão curados, graças a vocês.
- Oh! Fantasia, não chores! – confortou-o a Maria, fazendo-lhe festinhas.
- Que bela história, Avó – disse o Simão, bocejando.
- Está na hora de irem dormir, meus pequenotes.
- Boa noite, Avó. – disse a Débora.
- Boa noite e bons sonhos.
À noite, eles sonharam com as aventuras que a pequena Edite podia ter vivido, naquele dia, naquela floresta.

Jéssica, 8º B
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A tua banda acaba de lançar o primeiro CD. Como se chama e que tipo de música toca? Como vai ser a promoção desse disco e como vão ser os concertos?


A Minha Primeira Banda



A história que vos vou contar está a passar-se neste momento, em Lisboa, num programa de televisão.
-Bom dia a todos! Hoje aqui no “Bom dia Portugal” temos uma banda que acaba de lançar o seu primeiro CD. Não é verdade, Fábio?
-Sim, é verdade. Nós somos os “On the Limit” e acabámos de lançar um CD, que é uma mistura de rock e pop.
-Antes de mais, diz-me o nome dos teus colegas.
-Eu sou o Fábio e sou o guitarrista, este rapaz aqui ao meu lado é o Criz e é o baterista e, por fim, este é o Tomás, o vocalista.
-E como se chama o vosso CD?
-O nosso CD chama-se “Night”, em português “Noite”.
-Eu ouvi dizer que mesmo tendo lançado o vosso CD há pouco tempo, vocês já tiveram um episódio curioso…
- Sim, passou-se na Fnac, em Viseu. Nós estávamos lá a ter uma sessão de autógrafos e assistimos a tudo. Uma senhora entra na loja e pergunta ao funcionário da loja se têm o CD de noite, que era o nosso CD. O funcionário, com toda a calma do mundo, disse: Não, minha senhora, nós só vendemos CD’s de dia, de noite estamos encerrados…
-Pois… uma história curiosa. Então diz-me, Criz, tu que és o baterista, como foi o momento das gravações? Estavam muito nervosos?
-Sim. Estávamos todos muito nervosos, mas o pessoal do estúdio pôs-nos muito à vontade, e gravámos logo tudo à primeira.
Vou agora passar a palavra ao vocalista. Diz-me. Tomás, como vai ser a promoção do vosso CD?
-É assim, nós já gravámos um anúncio publicitário que já está a passar na TV e, em breve, vamos gravar o nosso primeiro videoclip, que também vai ser um grande desafio.
-E já pensaram no cenário para o vosso videoclip?
-Sim, vai ser gravado no Parque das Nações, aqui em Lisboa.
-Porque escolheram esse local?
-Escolhemos esse local porque a música para a qual vamos gravar o videoclip chama-se “Story”, que em português quer dizer “História”. Esta música fala de uma história que é a nossa e nós desde pequenos que estamos habituados a ir ao Parque das Nações pelo menos uma vez por dia, pois nós os três vivemos num bairro muito perto do parque, logo passámos lá parte da nossa infância, por isso achámos que era o cenário perfeito para o nosso primeiro videoclip.
-Vou voltar a passar a palavra ao Fábio, para perguntar: Como vão ser os vossos concertos? E onde vão ser?
-O nosso primeiro concerto vai ser amanhã, em Viseu. Nós estamos muito, muito nervosos, mas acho que vai correr tudo bem. Nós estamos à espera de muita gente a ver, até porque a entrada é gratuita e vamos tentar passar energia positiva ao público. Futuramente, no dia 20 de Outubro teremos outro concerto em Nelas. E mais concertos virão.
-Esperamos que sim e que tudo vos corra bem. Senhores telespectadores, encerramos a segunda parte do nosso programa com os “On the Limit” a cantar a música…
-…”Story”.
-Um grande aplauso para eles!


Fábio, 8º A


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Inventaste uma máquina que te permite traduzir a linguagem dos golfinhos. O que é que eles têm a dizer acerca da vida do mar?



Conversa com os golfinhos


No Inverno do ano passado soube que, no Verão seguinte, ia fazer mergulho em alto mar e que ia poder nadar com golfinhos.Como os adorava e não sabia como comunicar com eles, resolvi inventar uma máquina para traduzir a linguagem deles. Comecei em Novembro de 2007 e acabei em Maio de 2008. Abalei para os Açores em Julho e levei comigo a minha preciosa máquina.Quando cheguei ao arquipélago, ainda tive aulas privadas de mergulho, antes de ir para alto mar. Na primeira vez que mergulhei, em alto mar, fui acompanhada, mas não levei a máquina para não me acharem maluca. Fiquei fascinada com tantas espécies raras que nunca tinha visto ou ouvido falar. Mas também me assustavam algumas coisas: a imensa profundidade do oceano como se nunca mais acabasse ou até a escuridão à medida que descíamos. Depois de algumas tentativas falhadas de aperfeiçoar a técnica e quando acabei o curso, resolvi mergulhar sozinha numa zona onde houvesse golfinhos, e levar a minha máquina.Mergulhei e, quando os avistei, nadei o mais possível para junto deles, para tentar perceber o que eles diziam. Eram dois golfinhos, pai e filho.Quando me viram começaram a falar na língua deles, eu liguei a máquina e consegui perceber o que diziam:

- Vieste em má altura. O cardume de sardinhas deve estar aí a passar. Vão-se encontrar com o cardume de carapaus. Eu cá acho que é uma conspiração contra nós, golfinhos.

Eu tentei perguntar-lhes porquê, mas eles não entenderam. Parece que estavam atrasados.

- Eu tenho de levar o meu filho à escola. Não estamos no ambiente terrestre, portanto não há autocarros que o leve lá. No entanto, não há poluição e assim somos mais saudáveis. Esta vida no oceano é maravilhosa, não temos que nos preocupar em pagar contas e impostos, não temos guerras e tiroteios nem crianças abandonadas com fome. Simplesmente “curtimos” a vida e amamo-nos uns aos outros. Nós, golfinhos, damo-nos muito bem com as outras espécies, excepto com os tubarões, que comem tudo e todos, mas nós, no fundo, até entendemos. É a lei da natureza. Agora vou andando. Adeus, humano.

Eu tentei fazer o sinal de “OK” que o meu professor de mergulho me ensinou e disse-lhes adeus. Acho que perceberam. Ainda ouvi os cardumes de sardinhas e de carapaus a conversar, mas, como a minha máquina não dava para mais, desisti de os tentar perceber.Depois de ver tanta coisa, vim embora com vontade de voltar. Foram as melhores férias de sempre.


Vanessa, 8ºB

A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, de Mário de Carvalho



A pretexto de um adormecimento de Clio, musa da História e da criatividade, Mário de Carvalho coloca, num mesmo espaço, uma cena do séc. XII e outra do séc. XX.

A escolha da Av. Gago Coutinho não foi, certamente, aleatória, pois assim como o narrado por Mário de Carvalho é "inaudito" (nunca ouvido), também a aventura de Gago Coutinho foi, no seu tempo, inédita: a travessia aérea do Atlântico Sul, entre Lisboa e o Rio de Janeiro, entre 30 de Março e 17 de Junho de 1922, na companhia de Sacadura Cabral.

Clica aqui para leres o conto na íntegra.

A propósito:

- Clica nos atalhos para obteres algumas informações relacionadas com a obra que estás a estudar:
Lista de palavras de origem árabe

“In Sha à Allah!” tenhas um bom trabalho!


“In Sha à Allah!” = “Oxalá!”

domingo, 19 de outubro de 2008

Bem-vindos!




Olá, caros alunos!

Pois é, cá está o prometido blog! Agora, mãos à obra e vamos dar forma a este projecto. Aqui serão publicados alguns dos vossos trabalhos, bem como outros materiais e informações de interesse para a disciplina.

Um abraço amigo,

Prof. Luís